Bem-estar

Exames hormonais femininos para menopausa: quais e por quê

FSH e estradiol são os exames mais pedidos na transição. Entenda o que cada um mostra, por que um resultado isolado não fecha diagnóstico e como se preparar.

Mesa de madeira com estetoscópio, frasco âmbar e uma flor de camomila sob luz natural suave.
Resposta direta

Os exames mais associados à menopausa são FSH e estradiol: o FSH tende a subir (tipicamente acima de 25 a 30 mUI/mL após a confirmação) e o estradiol tende a cair (abaixo de 30 pg/mL), conforme os ovários respondem menos ao estímulo hormonal. O FSH pode variar de um ciclo para outro na perimenopausa, por isso um exame isolado não fecha diagnóstico — o critério clínico continua sendo 12 meses seguidos sem menstruar.

Os dois exames de sangue mais pedidos para entender a transição são o FSH e o estradiol. Um mede o quanto sua hipófise (glândula na base do cérebro) está se esforçando para acordar os ovários. O outro mede quanto estrogênio os ovários estão entregando. Quando os ovários começam a não responder, o FSH sobe e o estradiol cai — é esse padrão que ajuda o médico a entender se você está entrando nessa fase.

O que cada exame traz de informação

O FSH (hormônio folículo-estimulante) faz seu corpo tentar estimular os ovários a soltar óvulos. Durante a vida reprodutiva, ele fica relativamente baixo, porque os ovários respondem bem. Na transição, conforme os ovários vão envelhecendo e têm menos folículos (as estruturas que guardam os óvulos), a hipófise aumenta o FSH, tentando chamar atenção de quem não responde mais. Depois que você faz 12 meses sem menstruar, o FSH costuma ficar acima de 25 a 30 mUI/mL — é nesse patamar que confirma a menopausa.

O estradiol é o estrogênio mais ativo que seu corpo produz. Durante a transição, ele cai porque os ovários estão produzindo menos. Depois da menopausa, costuma ficar abaixo de 30 pg/mL. É essa queda que explica boa parte dos sintomas que você sente — desde calores até ressecamento da pele.

Por que um exame isolado não fecha a resposta

Imagine que você fez um FSH hoje e deu normal. Isso não descarta que você esteja em transição — o FSH varia bastante durante a perimenopausa. No mês que vem, pode estar lá em cima. Um único resultado “normal” não é resposta definitiva quando os hormônios estão oscilando.

O contrário também vale: um resultado alterado isoladamente, sem contexto, também não fecha nada. O diagnóstico não é feito só por número em um papel. É clínico. Significa que o médico olha para tudo: quanto tempo faz que sua menstruação está irregular, se você tem sintomas, quanto faltou para a última vir, qual é seu histórico de saúde. Os exames vêm para ajudar a entender, não para substituir essa avaliação.

Como se preparar e o que esperar

A maioria desses exames é feita em jejum (geralmente 8 horas). Leve sua lista de sintomas — quando começou cada um, quantas vezes ao dia, se atrapalha seu sono ou trabalho. Um exemplo: você chega na consulta e fala “tenho calor toda madrugada, acordo encharcada, e a menstruação vem de três em cinco meses”. Isso é informação muito mais valiosa que qualquer número isolado. Se você já reparou que sua menstruação está diferente, leve essas anotações também.

Se você toma algum remédio, leve a lista. Alguns medicamentos mexem com hormônios. A gente precisa saber.

O resultado sai em alguns dias. Você volta para revisar com o médico e conversar sobre o que fazer com essa informação — se há sintomas que precisam de tratamento, se é caso para acompanhamento periódico, qual o melhor caminho para você.

Quando procurar um profissional

Se sua menstruação mudou de padrão, se você tem calores intensos, se o sono foi embora, vá falar com ginecologista ou clínico. Cerca de 17 milhões de mulheres no Brasil estão nessa transição — você não está sozinha, e tem ajuda.

Se você tem menos de 40 anos e sua menstruação sumiu, ou se tem sintomas muito intensos que atrapalham sua vida, procure logo. Não espere achando que é normal. É normal a transição — não é normal você estar sofrendo sem conseguir ajuda.

Leve seu histórico de saúde: você teve alguma doença hormonal? Sua mãe entrou cedo na menopausa? Você fuma? Tudo isso importa para o médico entender seu caso e pedir os exames certos.

Quer entender melhor o FSH especificamente? Leia o artigo dedicado a ele. E para uma visão panorâmica de tudo que está acontecendo, consulte nosso guia sobre menopausa.

Perguntas frequentes

Preciso estar em jejum para fazer os exames hormonais?

Geralmente sim — a maioria é feita com cerca de 8 horas de jejum. Confirme com o laboratório ou com quem solicitou o exame, porque o preparo pode variar.

Um exame de FSH normal descarta que eu esteja na perimenopausa?

Não. O FSH varia bastante de um ciclo para outro durante a perimenopausa. Um resultado normal num mês não descarta a transição — o quadro clínico completo é o que importa.

Que outros exames podem ser pedidos além de FSH e estradiol?

Depende do seu caso. Alguns médicos pedem exames de tireoide, porque problemas ali causam sintomas parecidos (cansaço, alteração de ciclo, ganho de peso). Seu histórico de saúde orienta o que faz sentido pedir.

Fontes consultadas

  1. MenopausaManual MSD — Versão para Profissionais de Saúde · acesso em 19/08/2026
  2. Menopausa: cerca de 17 milhões de mulheres no Brasil estão no climatérioFEBRASGO — Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia · acesso em 19/08/2026
Retrato de Jerônimo Leite
Escrito por

Jerônimo Leite

Pesquisador em saúde e nutrição

Lê os estudos originais e traduz o que eles realmente dizem — incluindo quando dizem "ainda não se sabe".

Não é médico, nutricionista nem profissional de saúde registrado, e não faz diagnóstico, prescrição ou acompanhamento clínico.

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